O presidente fictício, Paulo Ventura, papel de Domingos Montagner, de 49 anos, na minissérie “O Brado Retumbante”, que estreia na Globo, nesta terça-feira, logo após o BBB 12, é uma mistura de vários políticos do cenário nacional. “Não houve nenhuma indicação nem inspiração”, conta o ator principal, que foge até de perguntas sobre seu posicionamento político para não se comprometer: “Acho que este não é um bom momento para dar minha opinião sobre esse assunto”.
Já para falar sobre Ventura, sua estreia em um papel central de uma produção da emissora, ele respira fundo antes de prosseguir o relato entusiasmado. Conta como foram os quase três meses de trabalho para o papel, elogia a atriz Maria Fernanda Cândido, que interpreta a primeira-dama Antônia, e enfatiza a complexidade do personagem, que foge do maniqueísmo clássico: “É um homem virtuoso, mas cheio de pequenos defeitos”.
Escrito por Euclydes Marinho, “O Brado Retumbante” narra a história de Ventura, presidente da Câmara dos Deputados que se vê na cadeira do político mais importante do país após um acidente aéreo que vitima o chefe de estado e o vice. Com 15 meses de mandato pela frente, ele resolve então tentar colocar o país, sucateado por casos de corrupção e políticos nada confiáveis, no rumo. Assim, decide sair do papel de fantoche político, função essa que se sujeitou quando foi eleito por adversários como presidente da câmara, para tentar mudar o sistema. “A postura dele incomodará os poderosos. Tanto é que será alvo de atentados e terá a sua vida pública devastada pelos inimigos”, conta o ator, que contará com a ajuda da mulher, Antônia, na empreitada. “Antônia aceita retomar o casamento quando Paulo assume a presidência. Ela é uma professora de História e se torna uma primeira-dama bastante atuante, inclusive o ajudando a ‘limpar’ o Governo”, conta Maria Fernanda Cândido. A série será exibida a partir de terça, com oito episódios. Caso tenha uma boa audiência, pode ter uma segunda temporada.
“O Brado Retumbante” é o início da retomada das produções em teledramaturgia que tem a política como tema central. Desde a redemocratização do Brasil, no fim dos anos 80, a emissora deixou de produzir séries ou novelas do gênero. O motivo, extra-oficialmente, era evitar atritos desnecessários com o poder e não dar munição para a oposição, sempre pronta para denunciar favorecimento a determinadas figuras políticas ou aos partidos representados por ela.
O tal veto tornou-se ainda mais justificado após o episódio em que a Globo foi acusada de favorecer o então candidato à presidente, Fernando Collor, no fatídico debate de 1989 contra Luiz Inácio Lula da Silva. A ascensão de Lula ao poder, em 2002, colocou em fogo brando a relação.
“Por decisão da casa, ficamos anos sem fazer um produto do tipo. Sinto uma ponta de inveja por não ter de fato, dirigido a série”, lamenta Ricardo Waddington, diretor de núcleo da produção, que reconhece ter adotado uma série de “cuidados” para não causar melindres.
Nomes, sobrenomes e cargos de personagens envolvidos em falcatruas e casos de corrupção na série foram alterados, ainda que o roteiro tenha sido escrito em 2009, ainda no último mandato de Lula. A ideia, aliás, era de que a produção fosse exibida em 2010, no ano das eleições presidenciais. Para não ser taxado de panfleto político às vésperas de eleição de Dilma Rousseff, acharam por bem postergar.
Ainda assim, um dos consultores e roteiristas, o jornalista Guilherme Fiúza conta que a direção da emissora avalizou cada linha escrita na série. Algumas coincidências, no entanto, não puderam ser evitadas. “Na história, existem ministros que caem por causa de denúncias de corrupção. Mas o Brasil real superou de longe no número de casos do tipo”, ironiza ele, citando os sete homens de confiança de Dilma que foram afastados ou se demitiram por conta de acusações.
O fato é que “O Brado Retumbante” fala, sim, de política, mas há uma clara predileção pelo drama humano dos personagens. Mais que uma tentativa de retratar a situação política do país, a série foca no bastidor da vida íntima do homem mais poderoso de uma nação.
O presidente de “O Brado" tem uma vida caótica em família. Trai a mulher, tem uma filha instável, um filho transexual. É boêmio e tem uma queda por mulheres bonitas. Não é um cara perfeito. “Não há nenhuma intenção nisso. Achamos que esse tipo de perfil de personagem é mais interessante dramaturgicamente”, palpita o criador da série, Euclydes Marinho, que diz ter assistido cerca de 30 filmes que tem presidentes como personagens centrais. De lá, pelo menos, tirou o otimismo: “No fim, o bem vence e o mal será punido”. Sim, é mesmo uma obra de ficção.
Assista a chamada:
Conheça os personagens:
Paulo Ventura (Domingos Montagner) – O presidente do país. Um advogado carismático, naturalmente sedutor e boa praça, que vai parar na Presidência da República a partir de uma manobra política que não saiu exatamente como se previa. Ele tem um casamento problemático com Antonia, com quem tem dois filhos.
Antonia (Maria Fernanda Cândido) – Doutora em história do Brasil, ela tem alma de militante. Casou-se com Paulo, mas o relacionamento nunca foi tranquilo, pois seu marido não resiste a um rabo de saia. Antonia é a fortaleza de Paulo Ventura.
Marta (Juliana Schalch) – Filha de Paulo Ventura e Antonia, Marta tem uma personalidade instável. Ela vive em constante estado de tensão, mesmo que não exista um motivo concreto, real. É casada com um rico empresário, Tony.
Julio/Julie (Murilo Armacollo) – Filho de Paulo Ventura e Antonia, saiu de casa muito jovem devido aos conflitos que viveu com o pai. É transexual e luta para ser aceito como Julie.
Julieta (Maria do Carmo Soares) – Mãe de Paulo Ventura, ela exerce a arte da manipulação como ninguém. Julieta sabe dos pontos fracos do filho e não hesita em usá-los a seu favor.
Beijo (Otávio Augusto) – Tio trambiqueiro de Paulo, ele tenta usar de sua proximidade e pseudo-influência para se beneficiar, mas dá com os burros n’água. Beijo quase embarca na rede de políticos que tenta derrubar Ventura da presidência.
Tony (Leopoldo Pacheco) – Genro de Paulo, Tony é apaixonado por Marta, o que justifica a sua paciência com os chiliques da esposa. Tony é um empresário de sucesso e é dedicadíssimo ao trabalho. Ele se dá bem com Ventura, mas não compartilha das ideologias do sogro.
Saldanha (Cacá Amaral) – O chefe de Gabinete de Paulo é também seu grande amigo e confidente. Sal, como é carinhosamente chamado por Ventura, é um homem inteligente, sagaz e fiel.
Floriano (José Wilker) – Ministro da Justiça, já foi amigo de Paulo, até a sua máscara cair. É o grande vilão da história, um homem frio e calculista
Werneck (Valter Santos) – O Coronel do exército é o chefe de Inteligência da presidência. Fala pouco e só revela o que pensa para Paulo. É um sujeito fiel ao presidente.
Oscar (Francisco Gaspar) – O seu cargo é garçom do palácio, mas Oscar é mais do que isso. Além de servir ao gabinete, ele trabalha na ala presidencial. Paulo conversa muito com Oscar e, por isso, Antonia tenta, sem muito sucesso, arrancar alguma confidência do garçom.
Claudia (Ramona Zanon) – Eficiente secretária pessoal de Ventura. É discreta e talvez por isso finge que não percebe os ciúmes da primeira-dama.
Laurinha Leão (Lolo Souza Pinto) – É a governanta do palácio presidencial. Diante de Antonia é séria, mas quando está sozinha com Paulo, se faz de mulher envolvente.
Otacílio Júnior (Jui Huang) – Analista de sistemas, o rapaz é subsecretário de Inteligência. Não existe nada no universo da informática que seja indecifrável ou inatingível para ele.
Isabel Pessanha (Cecilia Homem de Mello) – Secretária da presidência. É discreta e muito prestativa. Isabel desperta a desconfiança de Saldanha, mesmo sem nenhum motivo aparente.
Fernanda (Mariana Lima) – É ela quem faz a comunicação entre a presidência e o Congresso. A deputada é feminina e charmosa, mas mantém uma postura firme e decidida. Fernanda esconde um segredo que a tira do eixo, a paixão por Paulo Ventura.
Josivan (Chico Expedito) – Deputado que se envolve em uma armação que pretende derrubar Paulo Ventura do poder.
Pachequinho (Fabio Espósito) e Bodelér Sampaio (Francisco Carvalho) – Deputados e cupinchas do Senador.
Lucia Wolf (Cristina Nicollotti) – Competente jornalista. É isenta quando fala sobre política. O seu trabalho e a sua postura chamam a atenção de Paulo.
Regina (Ida Celina) – Terapeuta de Antonia.
Fátima (Marina Elali) – Intérprete de um chefe de estado. Paulo fica encantado com ela, que sede aos encantos do presidente.
Alessandra (Alinne Rosa) – Casada com um senador, a baiana tem um relacionamento extraconjugal com Paulo e quase o coloca em sérios apuros.
Mourão (Hugo Carvana) – Um antigo presidente que fez um péssimo governo, mas aposta em Paulo Ventura como uma saída para a recuperação do país.
Senador (Luiz Carlos Miele) – Ele é a cabeça pensante de todos os golpes que Paulo sofre. É a grande inspiração e o grande modelo para Floriano.
Martín (Daniel Kuzniecka) – Argentino por quem Antonia se apaixona.
Professora Neide (Sandra Corveloni) – Professora que se envolve em um escândalo relacionado ao Ministério da Educação.
Thelma (Cristine Peron) – Médica responsável por cuidar de Paulo Ventura e com quem ele terá um breve envolvimento.
Emir (Chami Yunes) – Chefe de estado dos Emirados Árabes
Alaor (Ricardo Corte Real) – Candidato do governo à sucessão de Paulo Ventura.
Helmult (Carlo Briani) – Ministro da Agricultura.
Alarico Ferrão (Geronimo Santana) – Senador baiano, marido de Alessandra.
Guilherme (Leonardo Machado) – Professor e amigo de Antonia.
Navarro (Edgardo Roman) – Presidente da Bolívia do Sul.
Barata (Paulo Ivo) – Jornalista e porta-voz da presidência.
Jonas (Waldeck) – Segurança da presidência.
Djalma (Zeca Carvalho) – Segurança da presidência.
Fonte: Diário de S. Paulo

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