Missionário R.R. Soares enche os cofres da Band - Reprodução
Voltaram com a mesma ladainha de sempre. Toda vez que chega o momento de renovação do contrato do missionário R.R. Soares com a Band, surgem os boatos de que a emissora não vai renovar.
Eu só acredito vendo. É tanta grana que rola na compra desse horário, que mesmo querendo, os Saad não conseguem se livrar deste mal que assola seu horário nobre. Dizem que o money é vital para a saúde financeira do canal.
Segundo o colunista Flávio Ricco, importantes nomes da direção da Band lutam a favor do fim da exibição do programa da Igreja Internacional da Graça, na faixa das 21 horas.
Tudo indica que a emissora vive um bom momento em suas contas e de crescimento em faturamento e audiência, não sendo necessário sacrificar sua grade por alguns, muitos, tostões a mais. Eu duvido!
A verdade é que as igrejas pagam muitos milhões para as emissoras, em especial, no caso da Band e do missionário R.R., o valor gira em torno de R$ 8 milhões. Difícil abrir mão dessa bufunfa. Há rumores de que para renovar a Band pediria R$ 10 milhões.
Se financeiramente compensa, quando falamos em audiência o prejuízo é grande. O programa religioso derruba o ibope do canal drasticamente. No horário anterior, a Band costuma dar em média de 3 a 4 pontos. Quando o missionário entra, os números não passam de 1 ponto. Com isso, para recuperar a audiência após às 21 horas, é um sufoco. E olha que a Band até consegue, com CQC por exemplo, que avança para a casa dos 5 a 6 pontos.
Tudo bem que concorrer com a novela da Globo não é moleza, nada garante que uma nova atração daria mais audiência, mas pela lógica é possível que pelo menos manteria os índices na casa dos 3 pontos, o que já ajudaria e muito na média dia.
Mas enfim, resta saber o que vai ser mais importante em 2014, a grana do missionário ou uns pontinhos a mais no Ibope.
Assim como na Band, que vende uma hora de sua faixa nobre para a Igreja Iternacional de R.R Soares há 9 anos, a RedeTV! pode repassar a faixa das 20h30 para a Igreja Mundial do pastor Valdemiro Santiago, que já compra horários na Rede TV! e também em outras emissoras, inclusive 100% do Canal 21.
A emissora paulista teria vendido a faixa entre 20h30 e 21h30, com a concretização de tal negócio, a RedeTV! não só manteria como ampliaria a liderança no ranking das estações de TV que mais repassam horários às igrejas.
Embora ainda não confirmada, a transação entre Valdemiro e a RedeTV! seria orçada em até R$ 6 milhões mensais. O valor deve ser utilizado para equilibrar as finanças do canal, que em 2011 passou por uma forte crise marcada até mesmo pelo atraso dos salários de seus profissionais e prestadores de serviço.
Silvio Santos bateu o martelo e disse que não vende mais as madrugadas do SBT para pregadores religiosos, mesmo que paguem milhões. Bispos e pastores estavam de olho naquele horário e ofereceram mundos e fundos para conquistá-lo. As ofertas partiram de todos, desde o bispão Macedo, em sua louca fixação para derrubar a Globo, até Romildo Ribeiro Soares, mais conhecido por RR Soares, cunhado de Macedo, que já tem sua TV mas é incansável na busca por mais espaços em outras redes. Também entrou na disputa um tal Malafaia, aquele que garantiu que iria arrecadar alguns bilhões dos fiéis para ter sua própria TV e deu com os burros n`água.
Silvio, bom camelô, o homem que conseguiu dar a volta até na CEF, passando-lhe o mico preto do banco Pan-Americano antes que ele explodisse, deve ter pensado: “péra lá, se esses caras querem tanto esse espaço é porque algum faturamento eles vão ter lá na frente”. Não sei se ele pensou exatamente assim ou simplesmente decidiu preservar sua TV da catequese massacrante dos nossos respeitados bispos, pastores e apóstolos, mas o fato é que decidiu encerrar as negociações.
Penso que é preciso algum tipo de fiscalização para que todos saibam o que está por trás dessa dominação evangélica nas TVs brasileiras. De onde vem essa dinheirama toda? Vem de dízimos e do valor obtido com doações, mesmo que envolvam imóveis, veículos e doações, sobre os quais não incide imposto de renda. Ao pé da letra, significa dizer que todos os contribuintes brasileiros estão trabalhando em favor da construção desses impérios, não apenas os fiéis das igrejas. Essa é uma caixa preta que precisa ser aberta e convenientemente explicada.
Sobretudo a Record, cujos diretores estavam na posse de Dilma desmanchando-se em salamaleques com a presidente, merece ser olhada com cuidado. Algo está errado ali.
Lemos nos jornais que a rede do bispo desembolsou 38 milhões de reais para tirar José Datena, da Band, onde dava religiosos 6 pontos de audiência ou menos. Estreou na Record com 12 pontos. Uma maravilha, pensou a bisparada. Mas foi só a ilusão do primeiro dia, a chamada audiência de curiosidade. Como ele não apresentou nada de novo, uma semana depois ele estacionou nos sete a oito pontos. Muito pouco para tão pesado investimento.
É até aceitável que a empresa contrate e pague salários milionários a quem ela queira, quebrando a cara ou não, o que não aceitável é que a massa trabalhadora de TV seja punida com medidas radicais de economia para ter dinheiro no fim do mês para pagar as estrelas.
As colunas de TV informam que a emissora do bispo cortou 50% dos salários do pessoal de produção, aqueles que tocam a TV por trás das cameras. Assim, um produtor que ganhava 5 mil reais passou para 2.500 e um auxiliar de produção caiu de 2.500 para 1.300 por mês. Isso da forma mais radical possível, do tipo pegar ou largar.
Ainda mais ridícula foi a informação de que o próprio presidente da Record, o decorativo Alexandre Raposo, empenhado em reduzir as despesas da emissora, encarregou-se pessoalmente em sair apagando as luzes e desligando aparelhos de ar condicionado. Todas essas medidas de economia foram tomadas após a contratação do Datena.
Ora, uma emissora que paga mensalmente 3 milhões ao Gugu, um milhão ao Datena, 1 milhão ao Justus – que voltou para a Record depois de fracassar no SBT -, não tem o direito de economizar em cima daqueles que realmente colocam a emissora para funcionar. Alguma coisa está errada em sua administração. São jornalistas, repórteres, produtores, cinegrafistas, operadores de câmera, enfim alguns milhares de funcionários que fazem a máquina andar e que não mereciam essa perda repentina em seus salários, já normalmente aviltados.
Devo dizer que não tenho nada contra os profissionais que são contratados a peso de ouro, meu protesto é contra a política de sacrifício de muitos em benefício de poucos.
Como a Record é administrada por religiosos, teoricamente todos homens de Deus, fica aqui um apelo para que façam um exame de consciência em suas orações diárias, antes de dormir: corrijam a iniquidade cometida com aqueles que não têm voz nem mídia a seu favor e querem apenas um salário que lhes permita viver com dignidade.
Por Eliankim Araujo/ www.diretodaredacao.com/noticia/a-caixa-preta-das-igrejas